COMO SE CONSTRÓI O PERFIL GESTOR DO MILITAR

“Precisamos conectar pessoas. Nosso destino enquanto humanidade é a comunhão. E nossa razão de ser é cuidarmos uns dos outros”

                                                            (Robinson F. Casal )

No segundo semestre de 1945, as perspectivas de futuro para o Japão eram desanimadoras. Arrasado por duas bombas nucleares e tendo sua infraestrutura material completamente devastada pela Segunda Guerra Mundial, o país parecia estar à deriva. Mas em 29 de agosto daquele ano, assumiu o governo militar do país o general norte americano Douglas MacArthur.

O General MacArthur e o Imperador Hiroito

Veterano de duas guerras mundiais, o tarimbado comandante tomou uma decisão bem pragmática: ao invés de agir como um arrogante ocupante territorial, ele procurou trabalhar de maneira simbiótica com as lideranças locais e manteve intacta a autoridade do Imperador Hiroito , governando efetivamente o Japão através do mesmo. Desta forma, pode conferir legitimidade às urgentes reformas que precisava implantar no país.

Em sua experiência, MacArthur sabia que, no mesmo patamar de importância da conveniência de suas decisões para o povo japonês, estava a receptividade dos mesmos à elas –  e que não basta simplesmente querermos melhorar a vida das pessoas, temos que convencê-las de maneira racional que isto é o correto e é factível.

MacArthur provou que além de grande estrategista militar, era também um competente gestor, pois o Japão se estabilizou, conseguiu encontrar seu rumo e está aí hoje como exemplo inegável de progresso para todo mundo ver.

Mas este amalgama de soldado com habilidade política e perspicácia diplomática não é prerrogativa exclusiva dos oficiais dos Estados Unidos, sendo objetivo profissional de todos os militares  mundo afora. Vamos analisar como a busca por estas competências está sendo trabalhada pelas Forças Armadas brasileiras?

Desde sua formação, quer tenha o  militar suas origens na Marinha, Exército ou Força Aérea, ele será preparado para operar numa condição de trabalho desafiadora, uma vez que, em situação de combate, estará sujeito às seguintes condicionantes:

– A formação profissional do pessoal que lhe é confiado é onerosa, específica e demorada, sendo então difícil e morosa sua reposição;

– Os equipamentos são complexos, caros e demandam manutenção especializada e

– O ambiente onde desempenhará seu trabalho é mutável, naturalmente hostil  e muitas vezes desconhecido.

Assim sendo, além de um bom avaliador da situação tática, o militar que exerce funções de comando precisa dominar as técnicas de gestão que lhe permitam administrar adequadamente as condicionantes listadas acima. Fica fácil aquilatar a sensatez desta afirmação se levarmos em conta que, durante uma campanha militar, as pessoas que estão sob sua responsabilidade terão que ser alimentadas, abrigadas e cuidadas, os veículos, aeronaves e navios devidamente manutenidos e abastecidos e o território ocupado, eficientemente governado.

Em suma além de perseguir a excelência como comandante, ele precisa se realizar como competente gerente. Esta performance administrativa é conseguida através de cursos, seminários , palestras e outros aperfeiçoamentos, todos sem prejuízo da formação de combate. Atualmente, várias forças militares tem estimulado seus integrantes a fazer  MBA e trazer o conhecimento adquirido no mundo civil para a caserna.

Especialização contínua e aprendizado constante

Mas há um componente invisível e perene em toda esta equação, e que é a base dos resultados positivos que um militar sensato de qualquer Força Armada consegue obter quando gerencia: a cultura de cuidar de tudo e todos  que lhe são confiados.

Esta atitude é transmitida desde o primeiro dia em qualquer escola militar, onde ao aluno que está na posição de comando no momento é ensinado a conhecer o posicionamento de todos os seus colegas, tornando-se responsável por eles. Faz parte de suas atribuições saber se alguém está no hospital, se um colega ficou para trás num exercício ou o motivo pelo qual se atrasou. Isto não é atitude policial, e sim compromisso com o grupo social.

E será assim por toda a sua vida profissional.

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O vídeo que Vocês verão à seguir mostra uma operação de resgate de tripulante infartado conduzida pela Força Aérea Brasileira em alto mar. Isto é cuidar, é ajudar. Sobretudo, é compromisso.

 

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