“DUNKIRK” TALVEZ SALVE O CINEMA DO OCIDENTE, MAS A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL NÃO FOI SALVA EM DUNQUERQUE

Assisti Dunkirk  em sua estréia (27/07) esta semana, e achei um bom filme, conforme disse na resenha em vídeo abaixo. Não sei se terá a força de sobreviver ao tempo e se tornar um clássico, mas vale a pena ser visto. E paramos por aqui.

Agora, daí a embarcar na histeria de alguns grandes órgãos da imprensa brasileira no sentido de nos fazer acreditar que a civilização ocidental foi salva naquelas praias, é desconhecer completamente a história. O desafio de se preservar a defesa da Inglaterra nunca foi uma questão de número de soldados, mas sim da habilidade da Marinha Real (Royal Navy) e da  RAF (Royal Air Force – Força Aérea Real) em manter os alemães circunspectos ao continente europeu, afastando-os da Grã Bretanha.

Ademais, façamos uma conta simples: em Dunquerque, foram evacuados 338.226 soldados. Destes, 125.000 eram franceses que voltaram ao continente dias depois e poucos resultados tiveram no peso das operações contra os alemães, de vez que a França já estava perdida. Deduz-se, então, que foram disponibilizados para a Inglaterra pouco mais de 200.000 militares, mais uns 3.000 franceses que aderiram à França Livre de Charles de Gaulle e ajudaram (e muito) aos britânicos.

Ocorre que depois de Dunquerque a Inglaterra ainda enfrentaria derrotas acachapantes na Grécia, em Creta e no Deserto Ocidental Africano contra as tropas de Rommel. Só depois de Churchill substituir sucessivamente os comandantes do 8º Exército chegando ao Marechal Montgomery (o qual fechou a fatura na batalha de El Alamein em 1942) é que os britânicos conseguiram respirar. Qual seja, faltava muito para a Civilização Ocidental ser salva em maio de 1940.

Porém, há mais um detalhe que precisa ser esclarecido aqui: a vitória aliada em 1945 ainda iria custar as vidas de 10 milhões de soldados da União Soviética, 3,5 milhões de soldados chineses, 400.000 americanos, 300.000 iugoslavos e 240.000 poloneses, fora outros tantos milhares de estonianos, etíopes, filipinos etc. Se contarmos as vítimas civis, essa conta dobra.

Tratar a história desta forma é agir com um profundo desrespeito à memória de todas estas pessoas.

Posted in Uncategorized and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , .

4 Comments

  1. Encontrei por acaso esses Artigos. São escritos com MUITA PROPRIEDADE E CONHECIMENTO, fruto de muitos estudos e dedicação; vindos de alguém que desde tenra idade se dedicou à ARTE DA GUERRA. Enquanto muitos jovens estavam em “baladas”, esse estava debruçado em seus livros, estudando Estratégias, Figuras Históricas, Batalhas….. Por isso FALA COM TANTA PROPRIEDADE E CONHECIMENTO. Passou pela ACADEMIA MILITAR DAS AGULHAS NEGRAS, PELA POLÍCIA CIVIL DE SÃO PAULO, E DEPOIS PELA MARINHA DO BRASIL. Por onde passou deixou e deixa sua MARCA POSITIVA. Obrigado por COMPARTILHAR CONOSCO SUAS PESQUISAS E SEUS CONHECIMENTOS. MUITO SUCESSO, VOCÊ MERECE.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *